domingo, 19 de outubro de 2008

Новости из России

Já faz mês e meio desde minha partida. Mas acho que passou bem rápido, acreditem. Assim como em São Paulo (e não em Ourinhos) o tempo parece «correr». Время бежит ! Mas ainda terei um longo tempo pela frente para aprender e fazer muitas coisas.

Por exemplo, quero conhecer mais os parques antes de o clima polar varrer Moscou. Pena que já não têm «árvores amarelas» como há duas semanas; pelo menos já as registrei fotografando (e guardando na memória, evidentemente). Haverá ainda momentos mais bonitos; muitos dizem que o período mais bonito é o inverno, quando tudo estiver bem branco.

Aliás, antes do inverno bater na porta, preciso comprar apetrechos indispensáveis: перчатки (luvas, não confundir com печатка, jóia), шапка (aquele gorro engraçado que os russos usam), e provavelmente, óculos de sol.

Neste momento, o clima moscovita está bem longe daquela famosa rigorosidade; pelo contrário, aqui parece com São Paulo, em um daqueles dias com garoa e vento. Muito vento. Não senti aquele frio que acontece no Paraná (especialmente Curitiba e Cascavel no inverno, com geada). Ainda. Porque já durante essa semana vai ter o primeiro dia com temperatura abaixo de zero, mas sem neve. Ainda. Também, quando nevar...

Outra coisa não menos interessante são os dias, cada vez mais curtos. Nessa semana, por exemplo, acordei às 7 horas da manhã, mas ainda estava completamente escuro. Chega a ser melancólico. Quero ver lá no auge do inverno, quando nove horas da manhã se chamar «nove horas da madrugada». Em São Petesburgo, os dias mais curtos duram só 6 horas! Tipo, pelo menos eles almoçam no claro!!


Brasil na Rússia


Nesses dias sem muito o que fazer, resolvi ligar a televisão. Navegando pelos canais, eis que me deparo com um canal com atores conhecidos. Era uma novela! Mais precisamente, «O Clone»!! Ainda não sei se é sucesso como foi «Escrava Isaura». É interessante ver os atores brasileiros «falando» em russo, e principalmente a tradução que eles consiguiram para frases do tipo “cruz, credo”, “meu Deus”, ou ainda «não é brinquedo não» . Só não conseguiram reproduzir o sotaque carioca. Graças a Deus — é brincadeira, viu :) .

Outra coisa brasileira, mas que deixou ao mesmo tempo surpreso e irritado, foi ouvir funk carioca numa rádio aqui. Queria sintonizar uma rádio que tocasse uma música conhecida, aquelas que eu ouvia no carro, e, do nada, escuto «são as cachorras, as preparadas, as popozudas, o baile todo». Pô, aí pegou pesado, né?

Outra coisa é o festival de cultura brasileira aqui em Moscou, que acontece durante todo o mês de Outubro. Semana passada teve o show do «Semente» (é, é aquela banda que canta semente, semente, semente, semente, semente...). Não deu pra ir. Antes teve um evento na embaixada brasileira aqui, também não deu para ir, mas foi porque eu não sabia desse festival. Ainda vai ter uma exposição de filmes brasileiros, um workshop sobre culinária brasileira com a Carla Pernambuco e um festival de cinema brasileiro. Devo ir nesse festival, mesmo não sendo um grande entusiasta do cinema nacional.


Arrependimento


Sei que é clichê falar «se arrependimento matasse...», mas com isso é possível descrever meu sentimento quarta-feira à noite. No domingo passado, ia comprar um ingresso para assistir Rússia versus Finlândia, pelas eliminatórias européias da Copa do Mundo. Resultado final: Rússia 3x0 Finlândia. Vi as imagens da partida, e que show! Acho que a nossa seleçãozinha de merd..., se pegar a Rússia, corre sério risco de levar cascudo!

Ao invés disso, comprei apetrechos para cozinhar sushi. Resulatdo? No primeiro dia queimei o arroz e por pouco a panela não ficou inutilizável. No segundo dia, errei no ponto de cozinhamento do arroz (de novo), só que dessa vez ficou cru. O sushi ficou parecend lavagem. Como sou brasileiro e não desisto nunca, teve terceiro dia. E dessa vez deu «certo». Ou melhor, saiu algo mais comestível do que das outras vezes. Em São Paulo eu sempre cozinhei sushi, mas é que aqui não estou com todos os instrumentos culinários. Aí fica mais difícil mesmo, né?


De roupa lavada, até que enfim!


Semana passada também foi dia de dizer não à roupa suja.

O começo do problema: o alojamento estudantil da faculdade não tem lavanderia. E as pessoas que tem máquina de lavar não tem o espírito capitalista de cobrar outras pessoas para usar seus aparelhos. Se eu tivesse uma aqui iria «fazer a festa». Um investimento!

Bom, como não há lavaderia comunitária, a única saída é arranjar um serviço externo. Todos aqui reclamam do preço das lavanderias moscovitas — e com toda a razão. Para lavar uma calça jeans, por exemplo, você deverá desembolsar algo em torno de 10 reais. 1 CALÇA JEANS, e só. Terno então, prefiro não comentar. E demora 1 dia, no mínimo! Na Argentina, me lembro, esse valor era a metade para lavar toda a roupa (o limite era 10kg). Se eu fizesse o mesmo em uma dessas lavanderias, acho que eu poderia deixar 2 calças jeans — de ótima qualidade — como pagamento. Ou bem mais.

Eis que surge uma ferramenta moderna, sem a qual a minha vida seria impossível: o GOOGLE (em sintonia com sua versão russa, o YANDEX). Digitei: cheap laundromat Moscow, e já na primeira página apareceu um local de «lavanderia self-service» do tipo, vocÊ paga só para utilizar a máquina de lavar e a de secar, e também o material de limpeza (exceto amaciante). Para ter minhas roupas limpas paguei algo equivalente a 28 reais. E em duas horas. Se o Google não existisse, o que seria de mim?


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