segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Primeiras estórias

Just to say HELLO!!!


Esse blog vai ser escrito na maior parte das vezes em português, mas com certeza você vai encontrar partes em inglês ou até mesmo em russo, quando eu tiver paciência para escrever com o teclado em cirílico.


Sobre a viagem:


Partida: São Paulo, 3 de Setembro de 2008, 12h da tarde. O vôo é tranquilo, mas teve várias turbulências. Dormi umas duas horas somente, depois de pedir uma cerveja - Warsteiner, já que eu estava num vôo da Lufthansa... seria um crime não pedir uma cerveja como essa, ainda mais na faixa!! O almoço foi nota 7,5 comida ainda brasileira.


Antes do avião chegar em Munique (Deutschland!), houve tempo ainda para um jantar (ou ceia, ou café da manhã????? Já eram 4 h no horário da Alemanha). Houve duas conexões - uma em München e a outra em Hamburg. Houve uma escala em Berlim. Conheci praticamente a Alemanha inteira.


Bom, mas a Alemanha (ainda) não era o meu destino. Meu destino era um pouco mais a leste, em direção às fronteiras polaco-bielorrussas para chegar a Moscou, a cidade-anel. Ou cidade amada, Ou simplesmente capital da Rússia e ponto final!


Cheguei no aeroporto de Domodedovo às 4 horas da tarde, horário local. QUE CALOR FAZIA!!! Dio santo! Troquei uns euros e dólares por rublo. Aqui na Rússia, as casas de câmbio não te enfiam a faca como no Brasil ou mesmo lá na Argentina. Aqui se compram rublos por um preço levemente acima do câmbio oficial. Só para vocês terem uma idéia, a cotação oficial do rublo é + ou - 36 rublos para cada euro; na casa de câmbio - só precisa tomar cuidado para não entrar em qualquer muquifo e enfiar o pé na jaca comprando notas falsas - você com 1 euro compraria coisa do tipo 35,80 ou se tiver sorte, 35,90 rublos.


Continuando a história...comprei os rublos e fui direto pro trem expresso que ligo o aeroporto até ás estações de metrô. Mas eu tava meio confuso e perdido - e com duas malas deste tamanhão assim ó [______________________________] . Daí acontece que eu perdi um trem que estava saindo na hora que eu cheguei. Resultado: tive que esperar mais quarenta minutos. E sob um sol escaldante, daqueles que fariam juz a uma praia do nordeste no verão (ainda que eu nunca fui no nordeste durante o verão...mas isso não importa!).

Bom, no percurso tive que ocupar duas poltronas, por mais que a tiazinha que controlava o movimento dos trens olhasse torto. Cheguei na estação Pavlovetskaya. Aí que começou o transtorno. Imaginem o metrô de São Paulo às 18horas. Pois bem, nesse aspecto o de Moscou não fica nada a dever em termos de vuco-vuco. Agora, imagina você, naquele vuco-vuco das 18h no metrõ de São Paulo, com duas malas daquele tamanho que eu bem descrevi aí em cima, mais uma mochila nas costas!!! Resultado: eu esmagando pessoas, brigando com as escadas rolantes, passando sufoco nos lugares em q não havia escada-rolante, quase que literalmente atropelando as pessoas, fazendo 2 baldeações. Ou seja, uma experiência de vida e tanto! :)

Saí do metrô na estação Smolenskaya e parti em direção à famosa Ulitsa (rua) Arbat. É um calçadão na verdade, bastante turístico. Cheguei no albergue, primeiro susto: ninguém me respondia. Ficava chamando a campainha, e nada. Aí comecei a entrar em desespero. Antes que eu me descontrolasse, perguntei a algumas pessoas da loja ao lado qual era o número correto. Aí tentei, não consegui. Perguntei a eles de novo, não consegui na terceira vez. Eis que alguém abre a porta do prédio, era uma mulher asiática (aqui em Moscou há muitos asiáticos, vindos principalmente da Sibéria). E ela me deixou entrar. E ainda, me informou certinho onde ficava o albergue. Precisamente, e eu subi pelo elevador até chegar no local. O local era meio estranho, tive um pouco de receio. Ninguém ali falava em inglês, aí tive que me esforçar ao máximo no meu russo. Uma vez acertado com a babushka, a única coisa que pensei era: dormir. No momento em que ia começar meu primeiro sono, a babushka apareceu na minha kvartira e disse: filho, acho que o albergue que você procura não é este. Não pensei duas vezes e peguei minhas malas (e meu dinheiro de volta, claro) e evacuei o local. A babushka me explicou onde era o albergue por que eu procurava; era na mesma zdanie, mas teria que entrar por uma outra porta na rua.

Foi o que eu fiz. A única coisa realmente chata foi subir e descer escadas com as aquelas malas. Paguei o albergue onde eu finalmente viveria, depositei minhas malas em um local livre e caí na cama... e eram 8 horas do noite aqui (ou 1 hora da tarde em São Paulo...). Acho que não dormir durante a viagem me fez adaptar mais rapidamente ao fuso horário daqui.

O fato é que estava tão cansado, que fui acordar somente às 10 horas do dia seguinte. Apesar de não ter comido nada desde quando estava no avião, no momento em que acordei eu estava mesmo era com sede, mas muita sede (parecia ressaca). Comprei uma butilka de água de 1,5 litro. Tomei tudo na hora. Depois fui pensar em comer alguma coisa — ou melhor, almoçar. Pedi borscht (tipo de sopa de legumes mas com otras cositas más) e pão. Aliás, sopa com pão têm sido minha alimentação, especialmente à noite.

Há, e por falar em comida! Acredito que aqui em Moscou há muito, mas muito mais mesmo, restaurantes japoneses. Qualquer esquina você lê: sushi-bar. Ainda não provei, mas quando o fizer lhes digo se vale a pena e se melhor do que os nossos! Aqui eles gostam também de restaurantes franceses, italianos (qui stronzo di italiani, capiche, eh?) e, claro, russos.


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A MGIMO


Uma das mais conceituadas universidades em toda Rússia, descrever a MGIMO (Insituto Estatal de Moscou de Relações Internacionais, tradução minha pro português) precisaria de um capítulo a parte. Isso porque a conheço não faz nem uma semana.

A universidade congrega vários cursos de graduação, pós-graduação (mestrado, doutorado e muchas otras cositas más) e também forma profissionais para o Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa (vulgo МИД РФ). Em outras palavras, eu não podia estar em outro local aqui na Rússia.

Quem é de fora (fora da MGIMO, não da Rússia) ou considera a universidade como de alto-nível, ensino de elite, ou acha que ali reúne os reis da cocada-preta. Ou as duas coisas juntas.

Meu primeiro contato pessoal foi no dia 5 de Setembro, um dia após chegar aqui. Como eu estava mais perdido do que cego em tiroteio, tive uns probleminhas para entrar na universidade (no sentido físico da palavra, já que era necessário um cartão da universidade. Aliás, já estou com esse cartão, vai disputar um lugar na minha carteira com o meu cartão da USP haha). E realmente, as coisas não acontecem ao acaso. Á portaria veio a Professora Galina, a qual havia conhecido em São Paulo, no ano passado, tentar me socorrer. E tudo, mais uma vez, deu certo. Conheci a universidade, fiquei mais informado da estrutura do curso que irei começar. Também me apresentaram as minhas tutoras, uma delas fala alemão (fluentemente!) e a outra, pasmem, está aprendendo português. E com sotaque português, ora pois!

A única coisa que pode me incomodar é que a alimentação ali não é uma coisa muito barata. Para quem é da USP, os preços são comparáveis aos do Sweden, ou ao restaurante do Biênio da Poli. Ou seja, nada muito animador. Pelo menos as bebidas são mais baratas (o que me revoltou foram os preços dos sucos, bem mais em conta do que os do Brasil, um país com diversidade frutológica incomparável).


Domingo, 7 de Setembro


Sim, eu sei que essa data é famosa para os brasileiros, mas para os russos, especialmente os moscovitas, sete de Setembro é um dia especial também. É o dia do aniversário de Moscou, que completou na data 861 aninhos! Velhinha, não?

Aproveitei para acompanhar os festejos locais. Havia um palco em cada quarteirão do centro. Bandeiras, pessoas animadas, checkpoints da polícia, e até um esboço de rave tinha lá. As fotos da festança se encontram no meu orkut (http://www.orkut.com/Main#AlbumList.aspx?uid=18295674519871979888) e no facebook (http://www.facebook.com/photos.php?id=828633360).

Bom, foi nesse dia também que tive que me mudar de albergue (para um mais barato, numa região também central, embora tranquila). O local se chama praça Sukharaevskaya (acreditem, sílaba tônica dessa palavra é a primeira). Dessa vez, para não causar tanto, fiz duas viagens com as malas. O novo albergue é melhor do que o primeiro, apesar de a minha komnata ser mais fria do que as demais.

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Далше о МГИМО


Na MGIMO, meu teste de língua russa será somente no dia 16. Enquanto isso assisti a algumas aulas e estudei (ou melhor, revisei) tópicos de língua russa. Acho que vou mesmo fazer só o curso de língua russa, pois se eu for fazer as matérias regulares também, em primeiro lugar eu não vou ter tempo, e em segundo, ia ficar muito caro. Em todo o caso, vou aproveitar a estrutura oferecida pela MGIMO.

A biblioteca resguarda diferenças exorbitantes em relação às nossas. Primeiro o expediente: na USP as bibliotecas já estão de pé às 8 ou 9 horas da manhã; na MGIMO, abre a partir das 10. Na USP, a maioria das bibliotecas funcionam até às 9 horas da noite. Aqui ela fecha já às 6 da tarde, infelizmente. Mas pelo menos pega uma boa conexão wi-fi. Aliás, na MGIMO fervilha de pontos wi-fi, sem precisar de senha! Outra coisa legal é que, ao invés de ficar carregando aquele seu casaco que pesa mais do que você próprio, é possível deixá-lo quietinho na chapelaria logo na entrada.


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Histórias do albergue


Os albergues da juventude em geral dão a oportunidade de você conhecer pessoas do mundo inteiro, cada qual com sua história, seus hábitos, seus costumes, enfim, seu cotidiano. Aqui na Rússia, nos dois albergues conheci pessoas do mundo inteiro. Foi diferente na Argentina, já que lá os estrangeiros eram quase todos provenientes ou da América Latina, ou dos EUA ou da Europa Ocidental. Aqui na Rússia as origens são bem mais variadas.

Conheci dois senhores indianos, que estavam em Moscou a negócios e ficaram no albergue por dois dias só. Houve o caso do chileno, fazendo um tour pelo Leste Europeu; as duas suíças também conhecendo a Rússia, e Moscou eram seu destino final; as alemãs recém-chegadas de São Petesburgo e chocadas com os preços da capital; o americano que ficou por apenas uma noite, fruto de uma conexão aérea mais demorada; o casal de britânicos que iria ficar uma semana conhecendo Moscou e arredores, ou do grupo de chineses (nihao! É tudo o que sei de mandarim. Eles ficaram surpresos em ver um ocidental cumprimentando-os na língua deles), idem aos britânicos.

Uma das histórias dignas de nota foi o do cara da Bielorrússia. Ele não estava em Moscou a negócios, nem para conhecer, nem para passar o tempo. Ele veio obter o visto americano para trabalhar na Flórida. Eu perguntei a ele porque ele não tirou em Minsk. Daí veio a resposta: são as relações internacionais. O presidente do país dele teve alguns probleminhas aqui e acolá com Washington, e daí ele decidiu fechar as embaixadas da Belarus nos EUA. Os EUA fizeram o mesmo (hoje não há embaixada nem consulado dos EUA funcionando na Belarus), e para tirar o visto, ele precisa «migrar» para Moscou. Interessante, não?

Mas a história mais incrível foi do grupo de egípcios. Eram 7 no total. Não lembro direito a ocasião em que a gente acabou se conhecendo, mas o certo é que eu estava na sala vendo meus e-mails e eles todos chegaram, e começaram a falar em árabe. Um deles — o único que falava inglês — começou a puxar papo comigo. Aí fiz a «indelicadeza» de falar que tinha ascendência palestina e síria, e — pronto! Logo eu já estava no centro das atenções, me ofereciam chá, convidavam para comer juntos (só depois das 20 horas, quando acabava o jejum diário deles, já que eles estavam em regime — literalmente — de Ramadã). Tiramos algumas fotos, um deles cometeu «Kharam» de pegar uma russa (muito engraçado, a única coisa que ele falava em inglês era «How it's your name», e ele ficava perguntando isso toda hora. Aí resolvi ensinar a ele a falar essa frase em russo, especialmente para a russa com quem ele ficou, e só sei que sobraram risadas hehe). Na verdade, eu não entendi a razão da visita a Moscou deles, porque eles conversavam (energicamente, diga-se de passagem) em árabe, e eu ficava meio perdido ali.


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O metrô de Moscou (метро!!)


Ao caminhar pelas estações de metrô de Moscou, especialmente algumas delas, nos dá a sensação de percorrer um palácio. São vitrais com imagens de cavaleiros russos da Idade Média, esculturas de heróis nacionais, lustres imensos, paredes de mármore (sim, mármore!) decoradas com motivos de diversas naturezas, mas sempre exaltando a força e a felicidade do povo soviético (ou russo. Ou os dois).

A razão para isso era transformar o metrô efetivamente em um palácio do povo. E parece que a idéia, ainda que escalofobética, deu certo. Para qualquer turista em Moscou, percorrer seus caminhas subterrâneos é igual ao Corinthians ganhar a Segunda divisão: um imperativo. Por falar nisso, como está o tricolor no Brasileirão? Espero que melhor que a nossa seleção, hein?

Voltando ao metrô! O único problema desse nobre meio de transporte dos moscovitas é que tudo — mas tudo mesmo — está em russo (e em alfabeto cirílico); então, se você deseja fazer esse programa: 1) saiba falar e ler em russo; ou 2) leve um papel contendo a relação de letras do alfabeto russo e suas respectivas correspondentes no nosso alfabeto, ou ainda; 3) leve alguém que conheça o metrô para lho apresentar. Ou seja, não sejam lusitanos e escolham logo a terceira opção, meu!


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Clima de Moscou


Como tinha falado, ou melhor, escrito antes, ao chegar em terras putinianas imperava o calor forte, de rachar mesmo, tempo seco. Resultado: eu quase derreti. Sorte que a água mineral aqui é quase o mesmo preço daí, e então eu tomava quase 3 litros de água (pura) por dia, e se não fosse por isso teria tido alguma deturpação nas minhas entranhas. Em suma, calor com mais de 30 graus Celsius à sombra não é mesmo comigo.

A partir da terça-feira, dia 9 de setembro, o tempo começou a mudar. E bota mudança nisso. Se segunda feira a temperatura beirava os 30 graus, com sol mega forte (e eu suando feito um porco), no dia seguinte veio uma frente fria de não sei de onde, começou a chover (muito), e a temperatura caiu, mas caiu muito mesmo, chegando na casa dos 5 graus (acima de zero, pelo menos!). E ficou esse chove, chove, chove até sexta-feira. E quando eu finalmente criei vergonha na cara e comprei um guarda chuva, o sol voltou. Mas o calor não (comentário boboca: pelo menos aqui não é igual a São Paulo, onde faz um sol escaldante durante a semana e quando chega sexta-feira à tarde o tempo fecha e chove o fim de semana inteiro).

Hoje, domingo do dia 14, o tempo está nublado, com previsão de chuva mais tarde. A temperatura deve estar em 13 ou 14 graus (comentário boboca 2: já posso trabalhar na Globo e ser correspondente em Moscou do moço do tempo!!!).


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А что ты ешь?


Sobre alimentação aqui em Moscou: os preços de alguns produtos são semelhantes aos praticados em São Paulo — ou seja, são caríssimos! O segredo é comer as coisas produzidas internamente; e por isso, evitar macarrão (snif), carne de qualidade (snif [2]), salada de alface (sinf [3]), lasagnas (sinf [4]) e outros quitutes saborosos — buáááá' :'(

Pelo menos algumas coisas são bem baratas aqui — água, maçãs, bliny (um tipo de panqueca muito boa por sinal, com recheio de carne, verduras, vento, и.т.д.), sopas, pães (meu pai ia ter um treco aqui haha).

Outra coisa a ser evitada são os restaurantes. Ou melhor, a maioria dos restaurantes. Há, no entanto, algumas opções não muito custosas em se tratando de comer fora. Por exemplo, há uma rede de fast-food aqui, uma espécie de Giraffa's russo, em que se serve sanduíches iguais ao do Mc, mas também com alguns comes característicos daqui. E, também igual ao Giraffa's, a um preço bem acessível (talvez mais acessível do que o próprio Giraffa's!). O mc daqui é bem parecido com o do Brasil, idem aos preços. O problema é que não gosto muito de comer no Mc (nem aqui, nem no Brasil, nem na China). Não sei se tem Burger King aqui, mas logo lhes confirmo.


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Domingo


Mantendo as tradições brasileiras — ou melhor, paulistas / ourinhenses — hoje é dia de comer... LASAGNA. E o que é mais incrível: MADE IN PONTA GROSSA, daí!!!! (PS: a lasagna é mais cara do que no Brasil, mas ainda sim saiu por menos de 9 reais, daí). Logo já vou colocá-la no micro e me sentir na minha terra! Молодец!! E para dar uma variada no cadápio, no jantar cozinharei (medo!) macarrão ao sugo. Ma qui stronzzo di italiano, cazzo!!! A título de curiosidade: aqui na Rússia todo mundo gosta de pizza e comida italiana em geral, mas as de São Paulo são insuperáveis, meu!


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Papo sério: Perspectivas a cerca de Moscou


Ao sair do aeroporto e pegar o «express train», que na verdade não era tão express assim, a impressão que dá é a de que Moscou, ou mesmo a Rússia, parece meio abandonada, que não se investe tanto na aparência, especialmente no hall de entrada. Ainda mais depois de ter «visitado» os aeroportos de primeira linha como o de Munique. Mas confesso que, depois de uma semana, minhas impressões mudaram significantemente.

Há muitos edifícios abandonados, outros que precisam de apenas um mero reparo na fachada, e a outros não há outra solução senão pôr abaixo. Há ruas também precárias, mesmo próximo ao Kremlin, e prédios com rachuduras expostas. Igrejas e monastérios do século XVI (sobreviventes do regime comunista), também quase «colados» à Praça Vermelha precisam ser urgentemente revitalizados.

Isso tudo é verdade. Várias construções históricas em Moscou precisam ser restauradas para recuperar a não somente sua beleza, como também a dignidade.

Entretanto, a sensação que impera ao caminhar por Moscou é que a cidade, se não o país inteiro, é um extenso canteiro de obras. Talvez fosse conveniente chamar de «perestroika» toda essa «revolução», mas creio que seria uma visão reducionista. Creio eu que os russos estão preocupados em se reestabelecer como uma superpotência, em se tornar fortes economica, politica e militarmente. Mas de forma mais silenciosa, muitos deles também estão preocupados em restaurar valores do próprio povo russo, a família e a religião, esta última quase sempre oprimida pelos ditadores . Tanto que se lê em murais: «2008 é o ano da família» ou recuperando a frase de Tolstoy: «Amor à pátria inicia-se com o amor à família».


4 comentários:

Lucas Neves disse...

Muito legais suas histórias, Golfs! Escreva sempre, será um prazer continuar a lê-las!
Espero ler histórias de bares, pubs, baladas e vodka em breve! E, claro, de russas. Aproveite a perestroika!

Unknown disse...

Golf's, seu blog tá muito legal. Tá muito golfinho (contando várias histórias de várias coisas com detalhes) conseguia imaginar as cenas certinho de você carregando malas escada acima e abaixo e falando russo, inglês, chines e outros dialetos como só um brasileiro que "se vira nos 30" sabe fazer!!

Aguardo novas noticias (especialmente sobre o macarrão =D)

Bjos

Tia Regina disse...

Adorei a idéia de escrever o blog, beijos Tia Regina

Bruno disse...

Obrigado a todos que lêem os posts! Procurarei atualizar pelo menos uma vez a cada 5 dias.
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