sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Um dia de semana normal

8:30

Celular desperta. Acordo, mas ainda estou (extremamente) cansado. Decido programar o alarme para despertar mais tarde. Que tal às 9:00? Feito.

9:00

Celular desperta novamente. Abro os olhos, mas ainda há resistências fisiológicas para completar o ato de acordar. Recordo-me das tarefas ainda inacabadas e que são para hoje. Em um pulo já estou na cozinha preparando o café-da-manhã. Minha primeira refeição diária é bastante rica: cereais com leite (ou ryazhenka, uma espécie de nata) e pão com manteiga. Bem tipicamente brasileiro...

9:35
Terminado meu banho matinal, agora é hora de fazer a barba e limpeza bucal (mais 10 minutos).

9:45
Aos afazeres domésticos. Antes de mais nada, preparo o indispensável mate, substância que finalizará por completo o famigerado processo de acordar. Também e me dará a inspiração necessária para escrever algo em cirílico e para prestar atenção nos casos gramaticais, evitando-se eventuais confusões entre o prepositivo e o instrumental, ou ainda, entre o aspecto perfectivo e o imperfectivo dos verbos. Mate pra que eu te quero!

10:30
Depois de terminar as obrigações com a língua e de ler as notícias nos jornais brasileiros. pego meus apetrechos e zarpo em direção à aula. Estou com pressa, a aula já vai começar.

10:32 chego na sala. Aula de literatura. Antes, treinemos fonética. Ladno. Mais poesias, contos e rasskazes.

12:00
Finda a primeira aula. Tenho tempo livre para voltar para o dormitório e terminar outras tarefas. Se der tempo, almoço. Se não, fica pra depois.

13:40
Termino as tarefas restantes, dou o último gole de mate e encho uma garrafa com água a ser consumida posteriormente. Ops, quase me esqueço daquele livro de textos sobre política. Apresse-se!

13:43
Chego à sala e, como de costume, lá já estão os chineses armados com seus cadernos e seus dicionários eletrônicos a postos. Logo chegam os demais alunos e a professora.

13:45
Começa a primeira aula. Ainda haverá outras duas. Estarei livre só depois das 18. Ladno [2]

15:00
Перерыв. Hora de estufar o estômago com alguma coisa. Restaurante central, lá está meu roomate e outros intercambistas. Tenho tempo para digerir lentamente o sanduíche de salmão e colocar as novidades em dia.

15:20
De volta para a aula. Давай работайте!

16:45
Termina a segunda aula. Intervalo. O que terá de novo na banca? Não, acho que vou comprar um filme interessante. Não, compro depois.

17:00
Sala de audiovideo. Outra oportunidade para atualizar-me dos acontecimentos, sob a perspectiva russa. Интересно.

18:00
Terminam-se as atividades na MGIMO. Volto para o alojamento.

18:02
Chego em casa. Estou um pouco exausto. Tiro um cochilo.

19:20-19:30
Acordo com o celular tocando ou com um barulho no corredor. Estômago ronca freneticamente. Preciso comprar algumas coisas, especialmente água.

19:40
Chego na loja de conveniência - продукты 24 ч. Interessante observar que nesse lugar as minorias étnicas se agremiam. O dono deve ser proveniente do Cáucaso (não dá para adivinhar qual é a nacionalidade dele). Mas tem um com sobrenome que termina com "adjian", ou seja, armeno com certeza. A tia que serve comida pronta é coreana (ou siberiana, mas o que importa é que tem fisionomia bem "japa"). A simpática babushka que pesa as frutas tem sobrenome que termina com shenko, ou seja, deve ser ucraniana.

20:25
De volta ao lar. Decido jantar no restaurante universitário. Comida russa de verdade: strogonoff, borscht, kotletki, pelmeni, kasha gretchevna, ris, solyanka, blyny... só cuidado para não enfiar o pé na jaca e pedir fígado ao molho de páprika.

21:00
Já estou em casa, em definitivo. Converso com meus pais (o tempo do diálogo vai de 10 minutos até uma hora ou mais).

22:40
Hora de ler os e-mails, responder e enviar mensagens, e escrever em BRUNO В РОССИИ ©

00:40
Cansado de ler e-mails, se divertir com os vídeos do youtube, ou de assistir a outro filme russo, passo para cama. Entro em stand-by. Até às 8:30 (9:00) do dia seguinte. До встреча!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Até que enfim!

Depois de muito esperar, finalmente começou a nevar. Na verdade o tempo ainda tá "fresquinho", em torno de -2 graus. Ainda não superou o frio da serra gaúcha hehe, mas isso é só uma questão de tempo.



Outra foto, tirada há 2 dias. Tempo estranho esse...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Arroz e feijão!!

Hoje no almoço, depois de 3 meses, voltei a comer arroz e feijão. Mas, como vocês já devem pensar, é bem diferente do arroz e feijão daí. E vou dizer uma coisa: o daqui é melhor e mais barato. Pelo menos o do restaurante da universidade.
Antes de mais nada, é preciso dizer que tanto arroz como feijão são apenas acompanhamento de um prato principal, que por sua vez pode ser um bife, strogonoff, fígado ao molho de páprica (a pior coisa que pode existir (depois de dobradinha, chorizo e buchada de bode). Comer arroz e feijão, sem o "prato principal", é de cera forma considerado uma "heresia" por aqui. Mas isso não é muito sério. Sério mesmo é ouvir a mulher que serve os pratos berrar: purê de batata com repolho, por favor, peguem! ou ainda macarrão com feijão, venham logo senão esfria!!
Outra coisa interessante por aqui é que toda refeição precisa de uma sobremesa, especialmente um pedaço de bolo que daria fácil para 3 pessoas. Mas não. Um russo já basta (pode ser uma russa, raquítica ou semi-anoréxica, mas ela vai comer meio quilo de bolo como almoço). Ok, culturas diferentes, parte II.

Clima: é no mínimo estranhas as temperaturas daqui nos últimos dias, anormais para a estação. Hoje de tarde estava no mínimo uns 10 graus, era possível caminhar só com uma jaqueta e calça jeans. Nada mais, mesmo. E, infelizmente, não há sinais de neve para a próxima semana. É o aquecimento global (se bem que, em 2006, dizem as fontes locais, as temperaturas em Moscou atingiram siberianos -35 graus). A ver.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

diferenças culturais, ou pessoais?

Em todo lugar para onde vou, me perguntam: mas você não teve problemas em se adequar aos costumes russos? Respondo: problemas grandes, não é o caso, por enquanto. Mas algumas situações interessantes ocorreram, e envolvendo não apenas russos, mas pessoas de outros países (inclusive europeus). Vou explicar isso citando exemplos.

1) Compro lata de refrigerante. Pego um guardanapo e limpo a tampa. Frescura ou preocupação em limpar? Bom, pra mim (e pra vocês que conseguem ler esse artigo) é uma questão mínima de higiene. Pros europeus, o contrário.

2) Tomar banho todos os dias ou, em alguns casos, duas vezes ao dia. Exagero? Para mim, não necessariamente. Para a maioria dos locais, sim.

3) Lavar frutas antes de comer. Algo mais do que óbvio para os habitantes da nação verde-amarela. Para os escandinavos, por exemplo, desnecessário.

4) Esse é bem pessoal: demorar 30 minutos para fazer uma refeição. Ou seja, três vezes mais lerdo do que um russo médio (e que, em média, comerá duas vezes mais do que eu).

5) Em compensação, tomo 2 litros de mate por dia. Essa ninguém me supera.

6) Os russos sempre dão seta e dão preferência aos pedestres com mais frequência do que os paulistas (no Brasil, os mais civilizados). Mas em compensação, eles têm problemas com cruzamentos, retornos, semáforos e otras cositas más, e são bem menos pacientes do que nós. Tanto é verdade, andando 20 minutos em uma avenida em um dia desses, testemunhei duas batidas e 7437932 buzinas.

7) Chuva de coisas. Enquanto escrevo esse artigo, já vi dois OCNIs (objetos cadentes não-identificados), provavelmente oriundos dos quartos de cima. E o que é pior, algum desses OCNIs são feitos de vidro e fazem estilhaços quando se colidem com o chão. Ou seja, é arriscado demais ficar andando nas cercanias da habitação estudantil.

8) Trancar a porta à noite. O francês que mora comigo acha absurdo ter que trancar a porta À noite, quando vamos dormir. Vai explicar a nossa nóia com segurança pra ele, não acostumado a sequestros relâmpagos, assaltos, invasões, balas perdidas, torcida do Corinthians, e outras desgraças.

domingo, 9 de novembro de 2008

esfriando...

Nesta semana, segundo fontes oficiosas, caíram os primeiros flocos de neve aqui. Nesse dia estava na rua, mas não percebi que era neve. Disseram-me que era uma mistura de neve chuva e neve, e não aqueles famosos flocos brancos - e sólidos. Ok, mas ainda considero aquilo apenas como uma chuva fria...
No ano passado, dizem, praticamente não houve inverno aqui. Nevou apenas 5 vezes! E parece que, neste ano, não será muito diferente.
Mas o frio deu uma acentuada. Agora, 10 horas da noite, deve estar algo em torno de -2 graus. Mas, segundo a previsão do tempo, não haverá chuva ou neve (ou as duas coisas juntas) pelo menos na próxima semana.
Outra coisa que anda esfriando por aqui são os prognósticos econômicos. Assim como em qualquer parte do mundo, ninguém sabe exatamente qual será a intensidade da crise. Os mais pessimistas falam que a coisa vai ser parecida ou mesmo pior do que o caos financeiro e econômico de 1998 (lembram? a coisa foi tão séria que em muitos lugares as pessoas faziam escambo!). Outros falam que a crise vai ser mais forte por aqui do que nos EUA. Mas o fato é que a Rússia andou acumulando uma quantia muito razoável de divisas, fruto das exportações "supervalorizadas" de petróleo e gás natural. É atualmente a terceira maior reserva monetária (atrás só da China e da Coréia). É algo em torno de US$ 500 bilhões, para serem aplicados em épocas de vacas magras, como crises financeiras, redução da atividade econômica, catástrofes ecológicas, reeleição do PT (zoera hahaha!!!) e outras hecatombes.